RECONHECENDO
NA PRÁTICA OS ELEMENTOS DE UMA CONVERSA
O objetivo deste trabalho é
identificar na transcrição abaixo a “Teoria das Faces” quanto aos elementos:
(1) tomadas de turno; (2) sobreposição; (3) reparo; (4) reformulação, em
entrevista na TV
Êxito com Liliane Ventura entrevistando o vereador mais novo de São Paulo
Eduardo Tuma sobre Ensino à Distância, endereço eletrônico http://www.youtube.com/watch?v=iKeyl2FGBes.
Primeiramente
uma definição sucinta destes quatro elementos:
1. Tomadas de turno –
toda conversa tem uma estrutura de tomada de turno, ou seja, os participantes
organizam-se para falar cada um de uma vez;
2. Sobreposição –
ocorre quando duas ou mais pessoas de uma conversa falam ao mesmo tempo;
3. Reparo – aparece em uma
conversa quando é preciso esclarecer algo, acrescentar uma informação a um
comentário recém-feito, em situações instrucionais, porém, é o professor/tutor
quem, em geral, realiza as correções;
4. Reformulação –
em alguns momentos de uma conversação é necessário reformular uma ou mais falas
anteriores com o objetivo de sintetizar, unificar ou extrair a essência de um
bloco de falas, elas são bastante freqüentes nos discursos instrucionais.
Liliane (P) - Olá,
hoje a nossa conversa é com o mais novo vereador de São Paulo Eduardo Tuma. Nós
vamos saber dele o que ele acha de ensino a distância, vamos ver!
Tuma (R) - Você
imagina a pessoa que tem um horário livre quinze, vinte, meia hora livre pra
poder usufruir da maneira que quiser, ela pode assistir uma aula no seu, vou
citar os nomes aqui, seu ipod, seu ipad, no seu tablet, no seu notebook, no seu
laptop enfim, é uma realidade hoje, e digo mais, a pessoa às vezes pode
assistir à mesma aula mais de uma vez, duas, três vezes, o que garante
consolidação no ensino, a consolidação na aprendizagem melhor dizendo, ela pode
parar a aula, ela pode voltar retroceder um pouco, então eu entendo que o
ensino a distância hoje representa uma realidade presente, e, da qual não
poderemos fugir, ela não é só presente como também é o futuro, creio que seja
isto.
Liliane (P) -
Ouvimos ainda do vereador Tuma o que ele pensa a respeito da conquista destes
novos alunos à distância.
Tuma (R) – A
geração, a gente chama de geração “Y” aquelas pessoas que nasceram depois da
década de 80, já vivem nesta realidade, quem nasceu antes ainda tem um pouco de
dificuldade... Liliane [resistência né]...
Tuma isto uma resistência, não olha
eu preciso de papel, eu preciso de caneta para escrever, eu preciso é enxergar
a pessoa que está falando comigo, mais hoje os benefícios são tantos que esta
resistência cai por terra, mesmo quem já cresceu na era da internet no meio
eletrônico no mundo virtual, aquela pessoa que nasceu neste mundo virtual e
aquele que não nasceu que nasceu antes, já enxerga o ensino a distância como
benefício, porque pelas razões que acabei de mencionar. Como atrair esta
pessoa? É simplesmente deixar ela experimentar o ensino a distância, muitas
vezes você pode criar alguns mecanismos pra garantir que aquela pessoa
realmente assistiu aquela aula, ou para que ela tenha algum tipo de interesse,
então direcionar o assunto, direcionar a disciplina, direcionar a matéria para
um público especifico, deixar a aula disponível na internet por um tempo
limitado, então vai forçar a pessoa realmente a sentar na frente do computador
e assistir aquela aula, isto tudo pra atrair, depois que a pessoa assistiu não
tenha dúvidas de que ela vai se convencer, que esse, que essa é uma realidade,
e que essa é uma forma magnífica de se aprender.
Liliane –
Queremos agradecer a participação do mais novo vereador de São Paulo Eduardo
Tuma muito obrigada. E você saiba que a qualquer momento a gente volta com mais
um: Liliane Ventura Entrevista, um beijo e até lá.
Os
turnos correspondem nesta entrevista mediante a co-construção do par adjacente
pergunta/resposta. Liliane pergunta
e Tuma resposta. Aqui designados Liliane = P e Tuma = R. Esse par P-R, em que P é a pergunta, primeira parte do
par, proferida por um parlante, e R é a resposta, segunda parte do par,
proferida pelo interlocutor, configura uma unidade fundamental para organização
da conversa conforme (SCHEGLOFF e SACKS, 1973; LODER; SALIMEN e MULLER, 2008).
A
sobreposição ocorre quando Tuma está
com a posse do turno, onde a situação da entrevista é a seguinte: Tuma (R) – A geração, a gente chama de
geração “Y” aquelas pessoas que nasceram depois da década de 80, já vivem nesta
realidade, quem nasceu ainda tem um pouco de dificuldade (neste momento Tuma hesita por alguns segundos)... Momento
então aproveitado por Liliane
preenchendo o espaço deixado por Tuma completando assim [resistência né!]. Tuma
isto uma resistência...
Referências
Bibliográficas